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sábado, 26 de junho de 2010

Ser e não ser

















Estava aqui sossegada de minha vida, vendo um inofensivo programa na tv (graças a Deus eu já tenho canais fechados), fortemente decidida a não ligar o computador hoje, quando vejo um comercial para lá de bizzaro, não resiti, os dedinhos formigaram, o pensamento alçou vôo e cá estou eu martelando o teclado. Bem, no referido comercial é mostrado um produto revolucionário e milagroso, digno das Organizações Tabajara, é a Calçola  Desembarangation  do doutor Hollywood, capaz de transformar  Free Willy em uma delgada sardinha. A função do tal adereço é reduzir instantaneamente alguns números do manequim até aí tudo certo. Ok, mas vamos raciocinar um pouquinho: uma mulher compra esse adereço, passa do manequim 42 para o 38 e vai pra balada toda gatinha, esbelta e acinturada, claro que com a finalidade de impressionar e conquistar alguém (se fosse só pra curtir um som ia com o corpo dela mesmo), lá chegando alcança seu objetivo, conversa vai conversa, acabam chegando aos finalmentes. Eu pagaria pra ver a cara do individuo depois que aquela produção literalmente hollywoodiana começasse a desmontar.

É triste pensar que as pessoas se importam  tanto com  casca a ponto de parar de raciocinar, como a preocupação em parecer bem ao outro suprime a vontade de estar bem consigo. Essa mentira cotidiana que se aplica não só ao corpo mas, a toda vida da pessoa. Procura-se desesperadamente soluções instantâneas para tudo, compra-se a preço módico e a prestações a perder vista, a felicidade em pílulas mágicas de fácil absorção [ e efeitos colaterais arrasadores]. Difícil é sobreviver quando o efeito sedativo passa e a realidade nos encara no espelho, mas aí já é outra estória, outros remédios e outro texto...